sexta-feira, 18 de abril de 2014

Criador de famosa comunidade traça perfil atual do forró



circulo

 O idealizador de uma das comunidades que mais repercute no meio forrozeiro, a Circulo de Forró, traçou um perfil atualizado da situação vivida pelo forró hoje no Nordeste. Luis Carlos Oliveira, que começou a fazer sucesso com a comunidade ainda no Orkut, há cinco anos, agora no Facebook, relata o ressurgimento de algumas bandas e o desaparecimento de outras, bem como a queda do império de grandes empresas, como a A3 Entretenimento.
Confira na integra:
Para onde caminhamos agora …
Março de 2012. Nos estúdios da A3 Entretimentos estavam reunidas para um ” chat ” Solange Almeida (Aviões do Forró), Laninha (Pé de Ouro), Taty Girl (Solteirões do Forró), Márcia Felipe (Forró do Muído), Samyra Show (Forró dos Plays) e Suzyene (Caviar com Rapadura). A empresa se orgulhava de ter em seu ” cast ” (segundo eles mesmos) as melhores cantoras de forró do país.
A A3 tornou-se um grande império (rádios, casas de show, bandas e muita, muita influência). Por anos, ditou os rumos desse novo forró. Eu morava em Curaçá-BA quando um empresário local me disse que iria a Fortaleza ” tentar ” contratar a banda Aviões do Forró para a Festa do Vaqueiro da cidade. Nessa época, ” conseguir ” um show da banda era algo complicado. Havia concorrência entre os contratantes. Quem chegasse primeiro levava … No pacote, iam também as outras bandas da A3.
Uma banda do grupo que também ” estourou ” foi o Forró do Muído, quando este era comandado pelas irmãs Simone e Simária. Um ” sucesso ” avassalador, que chegou inclusive a ameaçar a supremacia do Aviões dentro da empresa. As demais bandas não chegaram a acontecer de fato, mas sob o ” guarda-chuva ” da A3, mantiveram-se firmes (e em evidência) por muitos anos.
Mas, a história é testemunha do nascimento, vida e morte dos grandes impérios mundias (Babilônia, Roma, Grécia, Grã-Bretanha, EUA). No forró acontece algo similar, mas com ” empresas “. Desde que renasceu com o surgimento do Mastruz com Leite, o forró vem sendo ” dominado por elas “. O primeiro grande império forrozeiro foi a SomZoom, criada pelo ” inaudito ” Emanuel Gurgel. Por anos, a empresa ” deu as cartas ” no forró.
Entretanto, a inércia fez a SomZoom adoecer. Sua decadência foi inevitável. Enquanto ela agonizava lentamente, nascia a A3 Entretenimentos. Inspirada nos Brasas do Forró (banda que nos apresentou o vaneirão), a A3 criou (por assim dizer) um novo jeito de tocar forró, introduzindo um elemento estranho no forró, a ” swingueira “. Outra inovação foi lançar uma banda com apenas dois vocalistas, Sol e Xandy. Nascia então o Aviões do Forró.
Depois do sucesso da banda (que não veio ” logo que foi lançada ” como muitos pensam), a empresa então – inspirada na SomZoom – decidiu aumentar seu poder de fogo investindo / criando novas bandas. Tirou das ” concorrentes ” suas principais cantoras. Tocava em praticamente todos os eventos no Nordeste.
A história no entanto insiste em se repetir. A A3 não é mais a mesma. Nem suas cantoras. Das que citei no primeiro parágrafo, apenas Solange e Laninha permanecem na A3. A empresa – antes só – agora está acompanhada da 7 Tons. E pior, enfrenta uma das piores crises de sua história. além de sofrer a ” minaz ” concorrência da F5, Social Music e Luan Promoções; só para citar algumas. Até mesmo a SomZoom voltou ao páreo, mesmo que de maneira ” tímida ” ainda.
Sua principal banda (Aviões do Forró) encontrou um páreo duro (WS & Garota Safada), que segundo se diz por aí, é o novo ” queridinho ” da Globo. Suas outras bandas perderam importância. Caviar e Muído não fazem mais parte da empresa. Pé de Ouro é uma parceria, Solteirões do Forró e Plays em ” crise “, com as supostas saídas de Taty Girl e do Dodim de Mossoró.
O Forró das Antigas se fortaleceu (Limão, Mastruz, Magníficos, Socorro Lima, As Styllozas, Capim com Mel, ) o Apaixona Brasil (Malla, Desejo, Bonde e Encantus) ganha cada dia mais espaço. Forró Real, Balas, Cavalo de Aço e Anjo Azul estão ” chegando com força “. Além é claro da Calcinha Preta, que nunca deixa de causar, rs!
A longo prazo não vejo mais uma ” empresa ” dominando. Assim como acontece na geopolítica mundial, não há (ou haverá) mais uma ” superpotência forrozeira “. O forró fragmentou-se em várias potências regionais, assemelhando-se cada vez mais a uma cartela de cores. É – enfim – a democratização do nosso forró!

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